Dois policiais militares estão sendo investigados pela Corregedoria Geral da Secretaria de Defesa Social (SDS) por terem colocado uma adolescente de 15 anos dentro de um carro do Gati, espancado a jovem e a ameaçado de morte. A vítima foi levada pelos PMs na avenida Caxangá, no Recife, às 18h da última sexta-feira (17), e só foi deixada na porta de casa às 4h do sábado (18). Durante as dez horas em que esteve na viatura, a garota viu os “homens da lei” cheirando cocaína e até loló, que foi arremessado contra o rosto dela, queimando a face e a orelha. Um Boletim de ocorrência (BO) foi registrado, na última segunda-feira (20), no Departamento da Criança e do Adolescente, na Madalena.
A adolescente acredita que foi confundida com outra pessoa. “Eles me chamaram o tempo todo de Edna. Eu falei que esse não é o meu nome. Mesmo assim um deles disse: ‘o mal dos espertos é achar que todo mundo é otário’”, contou vítima. A garota disse, ainda, que os policiais ficaram rodando com ela por diversas ruas nas proximidades da avenida Caxangá. “Em alguns momentos eles saíam do carro e me deixavam trancada. Pensei que fossem me matar. Até porque eles ficavam com a arma na mão o tempo todo e cheiraram pó e loló”, explicou a menina, que está com dificuldade para dormir.
Enquanto esteve apreendida sem motivo, a adolescente foi procurada pela mãe. “Ela não é de chegar tarde em casa. Só sai para conversar com as amigas da rua e para ir ao colégio. Naquele dia, saiu para ir a um laboratório saber o preço de uns exames. Eu fiquei desesperada. Liguei para as colegas dela e ninguém sabia de nada”, relembrou. Os PMs só se convenceram que não estavam com a pessoa procurada por eles quando a vítima mostrou o Facebook dela. “Pedi muitas vezes para me deixarem em qualquer lugar. Mas depois de me maltratarem um deles perguntou onde moro e me trouxe para porta de casa. Antes de irem embora, me mandaram ficar calada porque descobriram onde moro.”
Com medo de uma represália, a adolescente passa o dia dentro de casa e a família já quer mudar de endereço. “Eles sabem onde moramos. Temo que voltem para nos fazer mal, pois sabem que fizemos a denúncia. Apesar de saber do risco, não podia me calar diante desse absurdo”, disse a mãe. A Corregedoria Geral da SDS informou que o procedimento sobre o caso já foi iniciado e todas as denúncias relatadas serão apuradas com rigor, devendo a investigação ser concluída dentro de 20 dias.
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