terça-feira, 21 de julho de 2015

Jovem de 15 anos diz ter passado dez horas dentro de uma viatura da Polícia Militar

Dois policiais militares estão sendo investigados pela Corregedoria Geral da Secretaria de Defesa Social (SDS) por terem colocado uma adolescente de 15 anos dentro de um carro do Gati, espancado a jovem e a ameaçado de morte. A vítima foi levada pelos PMs na avenida Caxangá, no Recife, às 18h da última sexta-feira (17), e só foi deixada na porta de casa às 4h do sábado (18). Durante as dez horas em que esteve na viatura, a garota viu os “homens da lei” cheirando cocaína e até loló, que foi arremessado contra o rosto dela, queimando a face e a orelha. Um Boletim de ocorrência (BO) foi registrado, na última segunda-feira (20), no Departamento da Criança e do Adolescente, na Madalena.
A adolescente acredita que foi confundida com outra pessoa. “Eles me chamaram o tempo todo de Edna. Eu falei que esse não é o meu nome. Mesmo assim um deles disse: ‘o mal dos espertos é achar que todo mundo é otário’”, contou vítima. A garota disse, ainda, que os policiais ficaram rodando com ela por diversas ruas nas proximidades da avenida Caxangá. “Em alguns momentos eles saíam do carro e me deixavam trancada. Pensei que fossem me matar. Até porque eles ficavam com a arma na mão o tempo todo e cheiraram pó e loló”, explicou a menina, que está com dificuldade para dormir.
Enquanto esteve apreendida sem motivo, a adolescente foi procurada pela mãe. “Ela não é de chegar tarde em casa. Só sai para conversar com as amigas da rua e para ir ao colégio. Naquele dia, saiu para ir a um laboratório saber o preço de uns exames. Eu fiquei desesperada. Liguei para as colegas dela e ninguém sabia de nada”, relembrou. Os PMs só se convenceram que não estavam com a pessoa procurada por eles quando a vítima mostrou o Facebook dela. “Pedi muitas vezes para me deixarem em qualquer lugar. Mas depois de me maltratarem um deles perguntou onde moro e me trouxe para porta de casa. Antes de irem embora, me mandaram ficar calada porque descobriram onde moro.”
Com medo de uma represália, a adolescente passa o dia dentro de casa e a família já quer mudar de endereço. “Eles sabem onde moramos. Temo que voltem para nos fazer mal, pois sabem que fizemos a denúncia. Apesar de saber do risco, não podia me calar diante desse absurdo”, disse a mãe. A Corregedoria Geral da SDS informou que o procedimento sobre o caso já foi iniciado e todas as denúncias relatadas serão apuradas com rigor, devendo a investigação ser concluída dentro de 20 dias.

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